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Repouso na Gravidez – para quem não aceita repousar

03/02/15

repouso na gravidezimagem: Pinterest

A gravidez da minha cunhada Manú está me fazendo reviver e refletir vários assuntos da gravidez que passei, ou tive medo de passar, enfim, e de alguma forma me sinto feliz por conseguir confortá-la, pois somos muito parecidas, e sinto que uma palavra de alguém realmente próximo faz diferença na forma de aceitar a sugestão. Eu e Manú realmente somos parecidas, não só fisicamente, como muitas pessoas comentam, mas a nossa forma de pensar também é muito parecida.

A Manú passou por uma situação delicada e a médica dela receitou o repouso. Ela me contou super comovida com a situação e disse que simplesmente não podia ficar de repouso. Ainda havia muito para ser feito pelo bebê e no trabalho dela, ela não conseguiria apenas ficar descansando e precisei bater um papo com ela sobre repouso na gravidez e quis dividir aqui com vocês, caso haja grávidas passando pela mesma situação.

Durante a gravidez do Theo, eu estava num ritmo frenético de trabalho e em casa, trabalhando muito e me dedicando a organização da casa para a chegada do Theo. Eu dormia muito tarde, passava horas arrumando armários (dos quartos, da sala, da cozinha, da área, kkkk), pesquisava muitas referências e textos maternos (quase inexistentes até então) na internet, fotos de quartinhos, acordava cedo, etc, bom, nada muito diferente do que fazia antes da gravidez ou hoje em dia, a diferença era que eu estava grávida. Oooops! Gravidez não é doença!

Eu cresci ouvindo isso e coloquei na cabeça que não ia deixar de fazer nada por causa da gravidez. O primeiro nocaute da gravidez foi nos saltos altos : Fui sorteada na loteria da dor ciática (uma fisgada intensa no nervo atrás da perna) e que aliviava a dor quando eu parava de usar saltos. O segundo nocaute foi na pressão: Quedas de pressão constantes, mal súbito frequente e cansaço extremo em qualquer caminhadinha. Isto realmente me tirava do sério, porque eu não conseguia fazer NADA. Tudo era muito cansativo, tinha preguiça inclusive de levantar da cama pela manhã ou levantar da cadeira do escritório em qualquer hora do dia, porque com certeza teria queda de pressão, com perda de visão e audição, e fraqueza nas pernas. O trem era bravo!

Lá pelo quinto ou sexto mês de gravidez falei com minha ginecologista obstetra que estava difícil demais conviver com isto! Ela me disse que ia me colocar de repouso. Que eu iria ficar 15 dias afastada do trabalho. Eu falei com ela que era impossível, que algumas das coisas que eu fazia não dava pra passar pra ninguém. Negociamos e depois ela falou que então eu iria ficar um mês de repouso por meio período.  Tive outro surto, chorei (essas coisas de grávida) falei que não dava… Dra Sheila me tira do sério quando tira o óculos e coloca o cabelo atrás da orelha e começa o falatório:  “querida…” xiii…. já sei que lá vem esporro e vou chorar mais ainda…

Neste dia ela me fez ver a gravidez por uma outra ótica. Sempre fui durona comigo mesmo, não aceito as coisas sairem fora do meu controle e realmente, este dia foi um divisor de águas pra eu analisar não só esta questão da gravidez, mas várias outras que passei depois e vejo muitas pessoas passando. Ela me disse que eu tinha 24 anos, que eu já vivi muita coisa, apesar de ainda ser nova, mas que eu estava num período decisivo da minha gravidez e não podia correr o risco de desmaiar enquanto atravessava uma rua ou descia uma escada.

Me dedicar ao repouso durante os últimos meses de gravidez, seriam um parênteses na minha vida, algo que eu faria somente naquele período por uma causa muito maior, que era o bem estar do meu filho e de mim mesma. Lógico que é difícil para pessoas como eu, que vivem num ritmo de vida acelerado e que “não conseguem ficar paradas” aceitarem este repouso, mas era uma coisa que eu precisaria aceitar goela abaixo e ficar quieta.

Voltei pra casa arrasada pensando como iria conseguir organizar tudo em metade do dia. Fiquei pensando também em como iria conseguir escutar as pessoas me chamando de “fresca” quando eu dissesse que estava de repouso. Felizmente isso nunca aconteceu e todas as pessoas estavam ao meu lado, apoiando meu repouso.

O repouso, de inicio, foi uma delícia. Naquela época, eu conseguia ficar em casa de manhã, esticava o sono e ia trabalhar somente a tarde. Meu Deus, como é bom e revitalizante o sono da gravidez. Eu dormia, acordava, dormia mais, acordava feliz da vida e ainda com sono. Neste época percebi o quanto estava cansada e como só repousando já resolvia meu problema. As quedas de pressão diminuíram apesar de não sumirem, mas já estava bom sofrer com isso uma ou duas vezes por dia, em vez de toda hora.

Depois de uma ou duas semanas eu estava completamente “recuperada” do sono atrasado e queria aproveitar meu período de repouso para terminar de comprar o enxoval e as coisas do quarto do Theo, e dei algumas fugidinhas. Logo depois voltei a ter aquele cansaço extremo e quedas de pressão constantes. Quando voltei na Dra Sheila, ela fez aquele típico movimento que me faz prever o esporro: tira os óculos e passa o cabelo atrás da orelha. “Querida, vou precisar te internar” . Nãaaaaaao!!! Enfim, mais uma looonga negociação e jurei até a minha sexta geração que iria ficar quietinha em casa. Não vou negar que até saia de vez em quando, mas me policiei muito para ficar deitada o máximo possível e tive um bom restinho de gravidez.

Depois que o Theo nasceu fiquei sabendo de várias pessoas que perderam o bebê durante o repouso, pessoas que passaram por repouso absoluto (daqueles que só levanta da cama pra fazer xixi ou nem isso), que fugiram do repouso e perderam o bebê, enfim, histórias terríveis que eu poderia ter vivido mas nem passava pela minha cabeça que isso realmente poderia acontecer comigo.

Minha segunda gravidez comecei com experiência, kkkk. Primeiro que essas quedas de pressão passaram a fazer parte da minha vida com alguma frequência (não todo dia, mas acontecia) e aprendi a administrar melhor a situação. Mas na segunda gravidez eu tive infecção de urina de repetição. Tipo, uma a cada semana. Mais um período de repouso com um agravante: um filho! Não sei vocês, mas meus filhos são bem danadinhos e não ficam quietos. Estava com o Max na barriga e o Theo de chicletinho, desta vez eu trabalhava pela manhã e repousava a tarde e ficava com o Theo depois da escola. Eu fiquei de repouso na medida do possível, mas não dava pra ficar de repouso como antes e mais uma vez minha GO “ameaçou” me internar, não tive muito o que negociar, eu ficava de repouso o máximo que conseguia com o Theo por perto. Mas graças a Deus os últimos dois meses foram tranquilos neste sentido.

Neste período eu consegui realmente descansar a cabeça e lembrar há quanto tempo que não fazia isso. Sei lá, talvez desde a adolescência! Apesar do medo e das preocupações que tive neste período, eu lembro que tinha uma sensação tão boa de paz e descanso, passava muito tempo conversando com meus boys-bebês. Também ficava imensamente angustiada por ficar tanto tempo parada, aquele tanto de coisa passando pela minha cabeça, acrescentando linhas e mais linhas nas minhas listas “to do” e sem poder fazer nenhuma delas.

E foi isso que eu contei pra minha cunhada, depois que ela me disse que estava de repouso forçado,sofrendo porque não aceitava o repouso e “a falta do que fazer” de forma alguma, apesar de ela ter passado por uma situação super complicada e sozinha, mas graças a Deus tudo correu bem.

 

Selecionei algumas dicas pra ajudar quem precisa entrar no REPOUSO NA MARRA:

 

  • Antes de tudo, lembre-se que este é apenas um pequeno período na sua vida. Por mais que deixe de fazer coisas e se sinta a pessoa mais inútil do mundo, aceite que aí começa a “doação” da maternidade. Você está fazendo algo para um bem maior, que é a segurança e saúde sua e do seu filho;
  • Geralmente os repousos são feitos na cama da grávida, entre deitada e “meio sentada”. Mas se você preferi ficar na sala, onde tem mais coisas, a tv é melhor, sei lá, e tiver condições de você se “instalar” por lá, porque não? Mas tenha em mente que você precisa se organizar e criar uma condição para que você fique realmente de repouso;
  • Cerque-se de todos os aparelhos e itens que irão facilitar seu dia a dia, para evitar qualquer esforço: Celular, computador, carregadores, agenda, controle remoto, livros, água, etc.
  • Se achar que está ficando muito tempo sem fazer nada, que tal organizar pastas de fotos no computador? É uma coisa que eu adoro fazer e fazia muito nos repousos, além de também salvar as fotos em HD externo. Dá pra distrair e sentir que está fazendo algo útil pra você.
  • Caso goste de filmes e séries, aproveite a hora pra tirar o atraso. Depois que o neném nascer, será difícil arrumar um espaço pra fazer isso por pelo menos um ano.
  • Procure serviços com “disk-delivery” para facilitar sua vida e evitar que você saia de casa: farmácia, supermercado, açougue etc.
  • Caso ache que precise de itens do enxoval, trate de arranjar o whatsapp da vendedora da sua loja preferida. Assim dá pra ligar pra ela e pedir: “quero um body assim, assim, assado” e receber as fotinhas na sua casa pra escolher.
  • Se precisar se manter no trabalho, tente fazer um home office com o que precisa para facilitar sua vida antes ou depois do trabalho.
  • Se gostar de livros, aproveite para ler aquele livro que estava querendo ler ha um tempão (pq depois que o neném nasceu, vai ser ainda mais difícil, rs) ou então comece a ler livros sobre maternidade e bebês. Um livro que eu sempre recomendo e acho que é a Biblia do bebê é o livro “Encantadora de bebês” da capa azul.
  • Combine com alguma amiga que tem um tempo disponível de te fazer uma visita e bater um papinho em casa, só pra manter a sanidade e se atualizar dos assuntos da turma.
  • Caso tenha um filho mais velho, tente conciliar o horário do soninho dele com o seu e trate de assistir os filminhos que ele mais gosta pra poder ficar quietinho com você na cama, sem te solicitar pra fazer coisas em outros lugares. Cansou de ouvir Patati Patatá? kkkk isso é normal, coloque o iphone pra tocar sua playlist favorita e fone nos ouvidos.

 

 

É isso gente! Eu sei que nem todo mundo acha horrível o repouso, muitas esperam ter este momentinho para descansarem e  colocar o sono em dia e não vêm problema nenhum em ficar quietinhas durante o dia. Mas muitas outras, como eu e Manu, simplesmente não se encaixam neste estereótipo e ficam literalmente putas com este “castigo”, mas como eu disse: aceita goela abaixo e aproveite do prazeiroso sono da gravidez.

Um beijo em todas!!!

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  • Avatar Bianca disse:

    Thi, minha vontade é ir aí te dar um beijo! Apesar de eu ter passado pelo primeiro terrível trimestre e estar com 3 e meio, tenho me sentido muito cansada com uma dor terrível nas costas e uma preguiça de dar dó. Aí começa a culpa: de eu não estar presente no meu trabalho por todo o período e por eu precisar loucamente do sono da manhã (à noite eu não descanso). Estou me sentindo a pessoa mais relaxada e mais folgada na face da terra. E apesar de não ter sido recomendada a tirar o repouso (pelo menos ainda), meu corpo já pediu pra eu diminuir o ritmo. Ler o seu texto me ajudou a entender que isso faz parte. Não é um privilégio de grávida, é uma condição. Então, obrigada por me aliviar essa culpa. um beijo.

  • Avatar Manu disse:

    Estou te inspirando, né Thi?!

    Rsrsrsrsrs…

    Mas realmente me sentia muito culpada por ter que “repousar”, pra não dizer fresca!

    Preciso te agradecer por me ouvir (e até chorar comigo hahahaha) sempre e dar dicas valiosas! Foi muito importante pra mim!

    Você me fez enxergar uma coisa óbvia: Que o cérebro continua no mesmo ritmo de antes da gestação, mas o físico não é o mesmo! É preciso paciência consigo mesma!

    Bjos! Beijos! E obrigada mais uma vez!

  • Amei sei post…
    Realmente não é fácil dá um pause na nossa rotina. Mais quando a ficha cai… Não tem jeito, temos que parar. Estou na 36 semana de gestação e devido a fortes dores que estou sentindo na lombar, tive que me ausentar do trabalho, das saídas, das faxinas, de tudo… No início dia 25/1/16 foi super difícil ouvir da minha médica que eu deveria entrar de licença maternidade. Hoje vejo que realmente o repouso melhorou a minha saúde e da minha bebê. É difícil, confesso! Mais só de pensar que estou fazendo um bem pra minha filha é algo inexplicável.
    Obrigada pelo post, bjs…

  • Avatar Giane Cobello disse:

    Estou passando por tudo isso!!!!

    É realmente desesperador… a sensação de inutilidade é o pior!

    Meu esposo me compartilhou seu link, por que ontem eu estava aos prantos, não aceito o repouso, e ficar deitada o tempo todo pra quem não parava um minuto, e ainda tem muita coisa pra fazer no trabalho e para a bebê. Hoje estaria viajando pra Miami para o enxoval, ainda não temos nada… e o susto, cancelar a viagem que também serviria de mini-férias… aiai

    Enfim, obrigada pelo seu post! me ajudou muito!

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