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Meu filho tem Dermatite Atópica

23/01/14

dermatite

Há muito tempo queria tratar este assunto aqui no blog, pois a maioria das dificuldades que tive como mãe – e consegui superar-, gosto de compartilhar aqui, tanto para ajudar outras pessoas que passam pela mesma dificuldade quanto para orientar.

Amamentei o Theo por pouco tempo, dois meses e meio, e logo depois, por volta de três meses de idade, começaram a aparecer umas brotoejas no rostinho dele. Várias pessoas me diziam que era de calor, só que a gente estava no meio de julho, época de frio, mas como eu passava a maioria do tempo com o Theo dentro do quarto com aquecedor, achava que era uma justificativa válida.

Todo mês a gente ia à pediatra e ela falava que era dermatite e recomendava passar uma pomadinha que não lembro o nome, dizia que isto era comum. Com o tempo, as bolinhas passaram a se “transformar” em placas vermelhas (como se fossem enormes babas de muriçoca) e Theo se coçava constantemente, inclusive acordava no meio da noite irritado se coçando.

Por volta de uns 7 meses de idade resolvi levar na minha dermatologista. Ela olhou e disse que era dermatite atópica. Mas que droga, queria que ela dissesse que era algo que eu não sabia e que ela pudesse resolver logo e fácil. Ela me explicou melhor sobre dermatite e disse que era comum em bebês até 2 anos e me recomendou procurar uma alergista.

Dermatite Atópica é um tipo de doença de pele, genética e não contagiosa, que é muito comum em crianças até dois anos por conta da imaturidade do sistema imunológico. Geralmente os sintomas na pele, além da pele ser super seca,  são brotoejas, lesões avermelhadas e coceira. Aparecem principalmente nas bochechas, dobras do joelho e cotovelo e nuca. Apesar da dermatite não ser considerada uma alergia, ela pode aparecer principalmente em pessoas com asma ou com histórico familiar de alergia.

Outros fatores funcionam como desencadeadores de crises, como poeira, conservantes, produtos de limpeza, amaciantes de roupa, tecidos sintéticos, frio intenso, ambientes secos, calor suor, ansiedade e estresse emocional.

Quando fomos na alergista, rezando para que ela desse um diaginóstico simples e fácil de tratar, ela mais uma vez nos disse que era dermatite atópica. Explicou tudo que a dermatologista já tinha falado e pediu um exame de sangue. Ela explicou também que o remédio para crianças com dermatite era paciência, além de evitar os fatores de crise, pois na grande maioria das vezes, a dermatite em bebês aparece sem causas aparentes e permanece até os dois anos. Ou seja, era preciso administrar a situação até os dois anos de idade.

Fizemos alguns testes de alergia, além do exame de sangue e nenhuma alergia foi constatada, inclusive ele nunca teve nenhum problema com asma e nenhuma doença respiratória. De um lado era bom, por outro lado era péssimo não ter nada concreto para controlar toda esta situação.

Enquanto isso, Theo vivia um problema terrível com as lesões avermelhadas na pele. Placas avermelhadas enormes nos joelhos, cotovelos, punhos e em volta dos olhos, com muita coceira. Quando as placas nos olhos apareciam, eu faltava chorar de tristeza. Apesar de nos olhos não incomodar muito a ele, ela horrível olhar um bebêzinho de um ano com os olhos todos inchados, que ficava coçando braços e joelhos o dia todo. Desta forma, todo mês estávamos na alergista para mudar o anti alérgico, ele usou praticamente todos.

Quando mudamos de apartamento, por conta da poeira dos móveis recém instalados, aquela sujeirada de mudança, Theo teve uma das crises mais feias (aquela foto dos olhos avermelhados na montagem) e demorou quase um mês para passar. Sempre que viajávamos ou se íamos para lugares mais frios ou mais quentes, dava uma crise de novo. Eu praticamente tinha que viajar com todos os anti alérgicos a mão!

Passamos várias noites em claro com ele reclamando de coceira, sem ter nenhum remédio imediato contra coceira. Nossos remédios eram basicamente anti-alérgicos (que entre um ano e meio e dois anos e meio de vida, Theo tomou sem pausas) e hidratantes aos montes.

A situação foi ficando insustentável e um dia, muito por acaso, lí na Isto É que no hospital Albert Einstein estavam fazendo um exame super inovador, apelidado de Isac, que apenas com uma amostra de sangue era possível determinar mais de 100 tipos de alergias. Marquei a consulta com uma alergista do hospital e depois fizemos o exame, caríssimo diga-se de passagem.

Na época Theo estava com um ano e meio, e inclusive a alergista do Albert Einstein não recomendava fazer o exame, pois como a dermatite é desencadeada pela imaturidade do sistema imunológico, era muito capaz que nada fosse detectado. Eu e Caco conversamos muito sobre o assunto, mas chegamos a conclusão de que precisávamos fazer, era melhor tirar esta dúvida de uma vez. Estávamos passando por momentos muito difíceis com o Theo e se esta era uma forma de descobrir o que passava com ele, por que não? Nossa teimosia falou mais alto, mas a medicina estava certa. NADA foi acusado no exame alérgico, apenas uma leve intolerância a ácaros, comum na maioria das pessoas.

Voltamos ao ponto zero e continuamos mantendo esta vidinha de anti alérgicos, hidratantes, pomadas corticóides e evitando todos os fatores de risco.

Um coisa que me incomodava muito, era que em todos os médicos que eu ia, todos me faziam a pergunta “até quando ele foi amamentado?”, quando eu respondia que ele foi amamentado por 2 meses e meio, a maioria olhava com aquela cara de “foi por isso…”, ai, eu faltava morrer de culpa, já não bastasse a culpa que eu carregava por ter amamentado ele tão pouco, ainda precisava ouvir os outros me condenando por conta disto… Mas depois descobri que talvez se tivesse amamentado mais, os sintomas apareceriam mais tarde, mas apareceriam.

Com o passar do tempo, sem percebermos, os sintomas foram passando. Mais ou menos com 2 anos e meio, ele não tinha mais as placas avermelhadas pelo corpo, o que era a pior coisa. Agora com 3 anos e meio, a pele ainda fica ressecada com frequência, às vezes dá crises de coceira (e vários machucados ao redor do corpo, de tanto se coçar) mas já descobrimos os fatores que mais atingem ele, que é poeira, muito calor ou muito frio, e tentamos administrar a situação dele fugindo dos fatores de risco, quando possível. Recentemente começamos a fazer um tratamento com homeopatia para amenizar as coceiras, têm dado um resultado tímido, mas esperamos que com o tempo o resultado seja melhor.

A dermatite atinge principalmente crianças até 2 anos de idade. A partir daí, a dermatite desaparece em algumas pessoas e em outras permanecem até os 5, 7 ou 12 anos. Uma rara parcela dessas pessoas, permanecem com dermatite atópica pelo resto da vida, mesmo que com raras crises, que eu espero que isto não aconteça no nosso caso.

Quando o Max nasceu, minha maior preocupação em amamentar, era de protegê-lo contra dermatite atópica, não queria sofrer com ele tudo que sofri com o Theo. Amamentei Max até os 6 meses, mas algum tempo depois, começaram a aparecer em Max alguns sintomas de alergia respiratória. Mas neste caso só me fez ter a certeza que não foi a amamentação o fator de desencadear a alergia, isso era algo que iria acontecer com eles mais cedo ou mais tarde.

Espero que com este texto possa orientar outras mães que passam por momentos tão sofridos quanto os que passei com o Theo.

bjsbjs

 

Deixe um comentário
  • Avatar Cíntia disse:

    A questão da amamentação e da idade é mto relativa. Meu filho tem 6 anos, mamou até quase 3, tem apenas uma pequena alergia a poeira (mas quem não tem?) e nenhum problema de saúde (ouvi dizer q quem tem a dermatite atópica normalmente tem bronquite, asma ou algum outro problema respiratório). Qdo ele era bem pequeno não apresentou nenhum sintoma da dermatite atópica, começou a partir dos 4 anos mais ou menos com um crise violenta, seus braços e pernas ficaram praticamente tomados por manchas e pelo fato dele coçar sem parar, formaram diversas feridas. Fui ao pediatra e a uns 3 dermatologistas, todos com o mesmo diagnóstico: dermatite atópica. Após o uso de diversos cremes, medicamentos e pomadas, agora me adaptei com um hidratante específico para seu tipo de pele. Ele ainda sofre com isso, mas tento administrar da melhor forma, usanso roupas de algodão, banhos rápidos e o creme umas 4x por dia. No verão, o suor faz com que ele sinta mais coceira e no inverno, o clima seco piora o ressecamento. Espero que um dia suma de vez ou pelo menos melhore bastante, pois é um sofrimento para nós, mães, vermos nossos filhos incomodados com isso! Até logo!

    • Avatar Thieli disse:

      Oi Cintia, acho que a questão da amamentação é que na verdade, enquanto estiverem amamentando, eles recebem todos os anticorpos da mãe, por isso algumas doenças tardam a aparecem, por causa da amamentação. Acho que foi isto o que aconteceu com você (é apenas uma hipótese). O Theo é exatamente como o seu filho, no calor e no frio piora, tem que passar hidratante o tempo todo, pomadinhas sempre que necessário e muita paciencia para passar por toda esta situaçao.
      Boa sorte!

  • Avatar carla bortot disse:

    nossa vc tirou todas as minhas duvidas, sofro com meus filhotes devido a mesma situação!!!!

    • Avatar Thieli disse:

      OI Carla. Nossa que bom! Na verdade eu contei um pouco da minha situação e um pouco da doença, nada muito abrangente, mas que bom que consegui te ajudar!
      BJs

  • Avatar Tifany Salgado disse:

    Muito interessante seu post, Thi. Não sabia que era tão comum as crianças terem isso. O meu filho, Eduardo, hoje tem quase 4 anos, sofreu muito com essas dermatites, pra falar a verdade, até hoje aparecem umas bolinhas atrás dos joelhos, mas bem mais tranquilo agora. As mais comuns nele eram as brotoejas e umas casquinhas durinhas como de um machucado que apareciam nas partes mais ressecadas do corpo.Além disso, o Dudu sempre sofreu de problemas respiratórios, Qualquer mudança de ares era nariz escorrer, espirros, tosse, febre (alta!), anti alérgicos, nebulização, Aerolin, hospital. Pelo menos uma vez por mês era certo de acontecer. Levei no dermatologista, alergista também que não descobriu muita coisa, um pouco de alergia à algum alimento que até hoje não sei o quê. Mandou passar Cetaphil e pomadinha. A última foi uma reação alérgica que o fez ir pro hospital todo empolado e inchado. Mais anti alérgico e observação. Até hoje não entendi o que causou isso. Nenhuma alimentação diferente. Nada, nada.

  • Avatar Marília disse:

    Por que você amamentou tão pouco tempo seus bbs? Acho pouco seis meses :/

  • Avatar priscila disse:

    então…acho que a amamentação influencia pouco isso…meus filhos também tem dermatite atópica o mais velho hoje com 5 anos (e ainda sofre com a dermatite que não desapareceu) apresentou os sintomas aos 3 meses e ele ainda mamava e mamou ate os 9 meses, o mais novo (hj com 10 meses) tb apresentou dermatite antes dos 3 meses mesmo mamando…um saquinho essa dermatite, moro em salvador e em certas épocas meu filhote sofre bastante….

    • Avatar Thieli disse:

      Oi Priscila, pois é, cheguei a conclusão que a amamentação é indiferente com relação a alguns casos.
      O Theo só melhorou mesmo a medida que foi crescendo, bjs

  • Amamentei minha filha até 1 ano de idade e mesmo assim a dermatite atópica apareceu aos 2 meses. Ela se arranhava toda por conta da coceira. Depois de muitos médicos, remédios (inclusive corticoides cujos efeitos colaterais já estavam aparecendo aos 3 anos de idade) e choro (principalmente meu por me sentir impotente em ajudar minha filha pois todos os profissionais que consultamos diziam que bastava hidratar a pele para evitar a coceira – o que não é verdade ), finalmente, aos 6 anos dela, encontramos o profissional que indicou o hidratante e o tratamento adequados e – sem corticoides – controlou a coceira e a pele seca. Hoje aos 8 anos, ela é outra criança, já sem todas aquelas placas que chegavam a sangrar e causava olhares de reprovação em todo lugar, como se fossemos negligentes. Por isso, não se sinta culpada. Aliás, questionei o alergista que a "curou" se o diagnóstico antes de um ano estaria errado, já que eu amamentava. Ele disse que, em alguns casos, a amamentação pode agravar a dermatite atópica. Beijos e força pois vivenciei a dificuldade de lidar com esta doença.

  • Ótimo texto….meu filho tem 9 anos e vc ontou uma história bem parecida com a minha…..Hoje com 9 anos tive épocas Boas e épocas de crise…mas ele ainda convive com ela.

  • Avatar Maria Lima disse:

    Gostei muito deste artigo. Também tenho uma filha com dermatite atópica e sempre sofro com ela, na primavera com o pólen, no verão com o calor e no inverno com as doenças respiratótrias. Neste artigo tem uma dica sobre os melhores cremes para pele atópica, a quem interessar: http://mae.dizaverdade.com/o-melhor-creme-para-a-pele-atopica/

  • Avatar Nice disse:

    Oi, boa noite. Quero conversar com você à respeito de dermatite atópica, pois sou mãe de um menino de 6 meses que foi diagnosticado pela dermatopediatra com dermatite atópica. O maior problema que estou enfretando é a coçeira que ele tem na área dos olhos, é tão constante que não consigo deixa-lo um minuto sozinho. Gostaria de saber se isso também aconteceu com o seu menino, e o que você fez, e qual medicamento usou. Grata pela atenção, Deus abençõe.

  • Avatar Wanessa disse:

    Estou passando essa odisséia com o meu filho. Dói muito ver nossos pequenos com isso e não poder fazer nada para acabar fora o constrangimento e julgamentos de pessoas que nunca passaram por isso. Em relação a amamentação se fosse por isso meu filho não teria. Amamentei até os 3 anos e meio mesmo assim ele não ficou imune à isso.

  • Avatar Eliana disse:

    Gente eu tive dermatite severa no rosto durante durante muito tempo usei todo tipo de medicamento corticóide tudo e nada resolveu!!! Certo dia fui tomar banho e não tinha sabonete e nem shampoo aí tomei banho com condicionador e no outro dia a dermatite sumiu como em um passe de mágica!!! A minha bb de começou a ter no pescoço com uns 9 meses e eu havia me esquecido que o sabonete seja qq tipo era a causa e passei corticóide nela e nada resolveu!!! Aí resolvi dar banho com creme hidratante e no outro dia a dermatite sumiu a coceira acabou!! Gente não usem sabonetes em seus bebês o problema e o sabonete!! Façam o teste e vão ver que incrível a criança fica boa de um dia para o outro!!! Já tem 20 anos que não uso sabonete no rosto e lavo com condicionador e passo a bucha delicada pra esfoliar e nunca mais a minha dermatite voltou mas se eu usar sabonete no rosto todos os dias ela volta forte!!! A mesma coisa acontece se eu passar creme hidratante e não massagear até o creme sumir!! Por isso não devemos passar nenhum creme hidratante na pele do bebê e sim dar o BANHO com creme pois o mesmo deve ser enxaguado. Se eu passar creme hidratante na minha pele e não espalhar até sumir começa uma coçeira maluca a pele vai ficando vermelha cheia de placas avermelhadas igual queimadura. O segredo é dar banho com creme ou condicionador como se fosse sabonete e enxaguar e nunca passar creme hidratante na criança!! Façam isso e vão ver o milagre!!!

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